sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

a isto se chama um muito - muito - bom videoclip.

a isto se chama um ataque de saudades.

a isto se chama vontade de fazer amor.

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quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

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quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

trabalho de casa

(é tão bom quando outros o fazem por nós...)

laura abreu cravo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adopção por casais homossexuais.

vão lá e voltem.
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já foram?
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ok.

então:

1. não parto da posição de que a autora partiu - sempre fui a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

2. muito menos tive reticências quanto à adopção por casais homossexuais.

3. acrescentaria, à argumentação jurídica sobre a qual não há nada a objectar (e por isso os movimentos contra a consagração deste direito pela Assembleia da República deitam unicamente mão a questões de ordem moral - a deles - e cultural - a deles -, na impossibilidade de utilizarem justificações de carácter legal e, ainda mais, constitucional), que não se trata só de não ter lógica referendar um direito de uma minoria (como o nome indica, minoritária face à maioria dos eleitores), mas sim de, como disse heloísa apolónio, os direitos serem outorgáveis e atribuíveis, não referendáveis. de outra maneira, e por exemplo, as mulheres continuariam sem direito ao voto...

4. não subscrevo a afirmação final («Não foram educados por homossexuais. Oxalá tivessem sido.») - nada me/nos garante que uma família homossexual dê melhor educação do que uma heterossexual. mas o inverso também é verdade - nada me garante que uma família homossexual dê pior educação do que uma heterossexual. porque tanto uns como outros são PESSOAS. e há PESSOAS que são boas educadoras, e há PESSOAS que não o são. se não existe qualquer superioridade moral dos heterossexuais, por o serem, igualmente não existe qualquer superioridade moral dos homossexuais, por o serem. a superioridade moral, meus caros, pertence a quem a tem. e de certeza absoluta que não é por razões de orientação sexual que ela é obtida, mas sim de educação, valores e integridade que têm a ver com a estatura moral, ou falta dela, que cada um de nós, PESSOA, tem. fazer sexo e com quem tem imensíssimos matizes e, espera-se, imensíssimas vantagens para quem o pratica, mas, definitivamente, não determina, por si, o carácter i/moral de cada um.


nota:
não lhes será difícil arranjar as 75.000 assinaturas. não se apressem na AR, não...

tou d'ente. fiquei em casa. terminei o arranjo das %&$#/&)(/&»% das jukes que, descobri há 15 dias, estavam quase todas sem tocar.

e pronto.

respirei fundo, arregacei as mangas e, pela segunda vez na vida deste blog, tive que refazer jukes uma a uma...

deu para:


1. substituir a canção da né ladeiras na juke 'nós por cá'. ficou esta:


a propósito dela, seguir pf este link para o blog do rui g.


2. retirar 15 canções da juke do paolo conte. eram 50, ficaram estas 35:

Alle Prese Con Una Verde Milonga, Azzurro, Blue Haways, Boogie, Chi Siamo Noi, Colleghi Trascurati, Come Di, Dragon, Elegia, Elisir, Fuga All L'Inglese, Happy Feet, Ho Ballato Di Tutto, Il Regno del Tango, Il Treno Va, La Ricostruzione Del Mocambo, L'Avance, Le Tue Parole Per Me, L'ultima Donna, Lupi Spelacchiati, Madeleine, Mister Jive, Molto Lontano, Nessuno Mi Ama, Parole D'amore Scritte A Macchina, Recitando, Sono Qui Con Te Sempre Più Solo, Sotto Le Stelle Del Jazz, Sud America, Tua Cugina Prima Tutti a Venezia, Un Vecchio Errore, Una Faccia in Prestito, Via Con Me e Wanda, Stai Seria Con La Faccia Ma Però.

3. eliminar duas da juke 'all the things you are' - brad meldhau e pat metheny. ficou uma juke mais coerente, ao nível de ritmo e ambiente.

4. eliminar o wagner tiso da juke 'vozes brasileiras por cá' (que o sr nao cantava coisa nenhuma), e acrescentar estas 5, cada um destes intérpretes tendo tido honras de post desde que tinha feito aquela caixa de música:


BR6

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CéU


Mônica Passos


Mônica Salmaso


Vinicius Cantuária


acrescentei ainda nos títulos das jukes, entre [], o número de temas/canções ou versões que cada uma contém. a mim dá-me jeito, talvez ao possível ouvinte também.


acho que foi isto.


uma questão metafísica: na da música portuguesa, 'nós por cá', devo utilizar intérpretes portugueses que cantam em inglês ou manter-me fiel à pureza da nossa língua?


beijos e abraços. vou ao centro de saúde para que atestem que espirros que atingem o móvel do outro lado da sala exigem permanência em casa.

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

tou d'ente. fiquei em casa. mudei coisas - a apresentação do perfil. fiz outra - uma lista de blogues que leio. a seguir ao arquivo. ora espreitem lá.

e o que chove lá fora?...


Bave Circus, de Philippe Desfretier, Nicolas Dufresne, Sylvain Kauffmann e Martin Laugero, música de Thomas Miquel, 2008

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

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sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

(adoro quando os meus fds são assim...)


EUNICE MUÑOZ NO D. MARIA II




SESSÃO DE ENCERRAMENTO

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HANK JONES TRIO

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(e uma exposição de entre as várias - muitas!! - patentes em lisboa)
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(talvez esta)
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fiquem bem :-)
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(deixo-vos com um novo 'foi vc que pediu um disco'? sinatra num dos seus melhores de sempre!)

quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

cuidar do espírito


"A song by american jazz pianist Marilyn Crispell included on her album Vignettes (ECM, 2008).

The beautiful oniric photos are part of australian photographer Sue Robertson's work called Dreamscapes."

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(trabalho - o seu melhor até agora, na minha opinião - de ricardo ramalho)

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segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

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(Ode à Alegria - Schiller -, último andamento da Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven - Presto - Allegro Assai, por Berliner Philharmoniker, Herbert von Karajan, dir, Gundula Janowitz, soprano, Hilde Rössel-Majdan, contralto, Waldemar Kmentt, tenor, Walter Berry, barítono, coro Wiener Singverein, ed. Deustche Grammophon, 1962)

domingo, 8 de Novembro de 2009

yes he can!!!

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Obama saúda
na Câmara dos Representantes
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sábado, 7 de Novembro de 2009

durmam bem :-)

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

senhores para se ter debaixo (de ouvido, claro, que este é um blog respeitável)

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este
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.(too

ouyt

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

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Vem, serenidade,

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para perto de mim e para nunca.






poema na íntegra aqui

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cd Promise, Vassilis Tsabropoulos, ECM, 2009


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agradeço que me informem se é possível fazer a descarga do disco por mim disponibilizado na juke; creio que não, porque os links das faixas não são públicos; contudo, se por plug-in instalados nos vossos browsers o conseguirem, e porque não é minha intenção incorrer em ilegalidades, retirarei algumas das faixas do cd por forma a que não fique na íntegra; grata pela vossa sinceridade.

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

gente gira (e criativa imaginativa original louca)



(recebido por mail)

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

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(estive todo o dia contigo. toda a noite contigo. porque estás sempre comigo: you are my romance.)
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hoje sinto-me assim



...(vamos lá a isto)

...(a uma nova semana)

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

dialogando com daniel barenboim - graças a si, maria helena

(e se, de repente, alguém, que nunca viu e com quem nunca interagira no mundo da blogosfera, lhe oferecer um livro por via postal, isso é o encontro com uma alma boa. desinteressadamente boa. e porque - também eu acredito - 'a vida e o conhecimento têm mais sentido quando partilhados', tento despertar-vos para a leitura desta obra de Daniel Barenboim expondo, igualmente, algumas das anotações mentais que me ocorriam à medida em que devorava o seu primeiro capítulo. não é um exercício de imodéstia: é exactamente o oposto. e é essencialmente a minha forma de agradecer, para além de palavras de mera cortesia, a quem me possibilitou uma experiência tão rara, comovente e gratificante.)
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Estou firmemente convencido de que é impossível falar de música. Muitas são as definições de música que, na prática, se limitam a descrever uma reacção subjectiva a ela. Para mim, a única definição verdadeiramente exacta e objectiva é a de Ferruccio Busoni, o grande pianista e compositor italiano, que disse que a música é ar sonoro. (..) (e é esta condição de imaterialidade absoluta que só o som contém que torna a música, de todas as artes, a única que verdadeiramente obtém uma simbiose única, e outra, com o que de imaterial somos: espírito. a comunicação obtida é da ordem da homogeneidade da substância, ao invés de todas as outras que são encontro entre o material dado e o imaterial em nós. talvez por esta razão a música tem um efeito integral em todo o nosso ser, cuja audição é, de todos os sentidos, o mais primevo e por isso primordial. inexplicável no que inclui de irracional, explicável no que permite de racionalização das sensações e das emoções.)

Consideremos em primeiro lugar o fenómeno físico que nos permite usufruir de uma peça de música, o som. Aqui depara­mos com uma das grandes dificuldades que a definição de música levanta: a música exprime-se através do som, mas o som, em si mesmo, ainda não é música - é apenas o meio pelo qual se transmite a mensagem da música ou o seu conteúdo. (o som como transporte da música, ou o som como mensageiro dela. arauto.) Quando descrevemos o som, falamos muitas vezes em termos de cor: um som luminoso ou um som escuro. Há nisto uma grande subjec­tividade; o que é escuro para uma pessoa é claro para outra, e vice-versa. Mas há no som outros elementos que não são sub­jectivos. O som é uma realidade física que pode e deve ser objectivamente observada. Ao fazê-lo, reparamos que ele desa­parece quando pára; é efémero. (e é a sua efemeridade que nos toca, dada a nossa própria condição, finita. encontro de almas, este encontro entre efemeridades.) Não é um objecto, como uma cadeira, que podemos deixar numa sala vazia e voltar a encontrá­-la no sítio onde a deixámos quando, mais tarde, lá voltamos. O som não permanece neste mundo; evapora-se no silêncio.

O som não é independente - não existe por si só, antes tem uma relação permanente, constante e inevitável com o silêncio. Neste contexto, a primeira nota não é o início - emana do silêncio que a precede. (donde se conclui que, se o silêncio é som, som virtual, então ele é o nada que é: é nada - possibilidade de todo o som. todo o nada é potencialmente tudo. do caldeirão do silêncio nascem os sons que a ele retornam. nascer das cinzas - dos sons mortos, tornados silêncio -, e às cinzas retornar. todo o silêncio é túmulo de sons. todo o silêncio é nascente de sons. no silêncio existem todos os sons do mundo, os passados e os por vir.) Se o som está em relação com o silêncio, que tipo de relação tem com ele? O som domina o silêncio, ou é o silêncio que domina o som? Mediante uma observação cui­dadosa, verificamos que a relação entre o som e o silêncio é o equivalente à relação entre um objecto físico e a força da gravi­dade. Um objecto que é levantado do chão requer uma certa quantidade de energia que o mantenha à altura a que foi levan­tado. Se não fornecermos uma quantidade suplementar de ener­gia, o objecto cairá ao chão, obedecendo às leis da gravidade. O mesmo se passa com o som: se não for sustentado, cai no silêncio. O músico que produz um som trá-lo literalmente para o mundo físico. (o que não equivale a dizer que o traga para o mundo palpável - a concreticidade do som encontra-se no facto de ele nunca ser concreto, mas sim concretizável.) Além disso, se não fornecer energia suplemen­tar, o som morre. É assim a duração de uma nota isolada ­finita. A terminologia é simples: a nota morre. E aqui podemos ter a primeira indicação clara de conteúdo na música: o desapa­recimento do som pela sua transformação em silêncio é a defi­nição do seu carácter limitado no tempo.

Certos instrumentos, em particular os de percussão, incluindo o piano, produzem sons a que nos referimos como tendo uma duração definida; por outras palavras, uma vez produzido, o som começa imediatamente a decair. Com outros, como os de corda, existem formas de sustentar o som por mais tempo do que com um instrumento de percussão: por exemplo, mudando a direcção do arco e fazendo essa mudança com tanta suavidade que ela se torne inaudível. Sustentar o som é, em todo o caso, um acto de desafio à atracção do silêncio, que procura limitar a extensão do som. (como se fora uma maldição, como se fora um encanto: o silêncio como sereia.)

Analisemos agora as diferentes possibilidades oferecidas pelo início do som. Se houver um silêncio total antes desse início, encetamos uma peça de música que interrompe o silêncio ou evolui a partir dele. O som que interrompe o silêncio representa uma alteração radical de uma situação existente, ao passo que o som que evolui a partir do silêncio constitui uma alteração gra­dual da situação existente. Em linguagem filosófica, poder-se-ia chamar a isto a diferença entre ser e devir. (exactamente! silêncio como ser, o som como devir; mas todo o devir só ocorre a partir do ser.) A abertura da Sonata Patética, Op. 13, de Beethoven, é um caso óbvio de interrup­ção do silêncio. O acorde, muito preciso, interrompe o silêncio e a música começa [Beethoven, Sonata para Piano Op. 13, compassos 1-2
]. O prelúdio de Tristão e Isolda é um exemplo claro de som que evolui a partir do silêncio [Wagner, Tristão e Isolda, Prelúdio, compassos 1-3 ].

A música não começa com o movimento do Lá inicial para o Fá, mas do silêncio para o Lá. Ou, no caso da Sonata para Piano Op. 109, de Beethoven, temos a sensação de que a música começou antes - é como se entrássemos num comboio que já está em andamento [Beethoven, Sonata para Piano Op. 109, compassos 1-8 ]. A música já tem de existir na cabeça do pianista porque, quando ele toca, cria uma impressão de que se incorpora numa coisa que já existe, embora não no mundo físico. Na Sonata Patética, a acentuação na primeira nota marca uma ruptura muito nítida com o silêncio. Na Op. 109 é impe­rativo não começar com um acento na primeira nota, porque o acento, por definição, iria interromper o silêncio.

O último som não é o fim da música. Se a primeira nota está relacionada com o silêncio que a precede, então a última tem de estar relacionada com o silêncio que lhe sucede. É por isso que é tão perturbador ouvir um público entusiástico aplaudir antes de se desvanecer o som final, porque há um momento derradeiro de expressividade, que é precisamente a relação entre o fim do som e o início do silêncio que se lhe segue. (esta merece ser colocada à entrada de todas as salas de concerto e impressa em todos os programas...) Neste particular, a música é um espelho da vida, porque ambas começam e acabam no nada. (daí a tal singular simbiose referida há pouco.) Acresce que, quando se toca música, é possível atingir um estado ímpar de paz, em parte devido ao facto de se poder controlar, através do som, a relação entre a vida e a morte, poder que não é, evidentemente, conferido aos seres humanos na vida. (mas se tal poder é inelutável em quem cria música, ao reproduzi-la, tocando-a, o que resta ao ouvinte? ecoar esses instantes de vida e morte em si.) Uma vez que cada nota produzida por um ser humano tem uma qualidade humana, o fim de cada uma transmite uma sensação de morte, e através dessa experiência é possível a essas notas, nas suas breves vidas, transcenderem todas as emoções; em certo sentido, entramos em contacto directo com a intemporalidade. (a intemporalidade da música tem assim a ver com duas dimensões: a de existir no tempo, da reprodução e da audição, enquanto palcos que são de vida e morte consecutivas, isto é, infindáveis, ou seja, para além dos limites do tempo considerado como tal; e a da suspensão do tempo pela 'sensação de morte' cravada em cada nota.) (...)

Um dos modos de preparar o silêncio é criando a precedê-lo uma enorme quantidade de tensão, para que o silêncio só acon­teça depois de ter sido atingido o máximo absoluto de intensidade. Outro modo de nos aproximarmos do silêncio passa por uma diminuição gradual do som, reduzindo de tal maneira o volume que o único passo seguinte possível seja o silêncio. Por outras palavras, o silêncio pode ser mais alto do que o nível máximo e mais baixo do que o nível mínimo. (isto é lindo...) É claro que o silêncio total existe; mesmo dentro de uma composição. É a morte temporária, seguida da capacidade de ressuscitar, de reiniciar a vida. Deste modo, a música é mais do que um espelho da vida; é enriquecida pela dimensão metafísica do som, que lhe dá a possibilidade de transcender as limitações físicas do ser humano. No mundo do som, nem a morte é necessariamente definitiva. (e isto é brilhante! se a música transcende as 'limitações físicas do ser humano', sendo contudo presença do homem que toca ou ouve - 'cada nota produzida por um ser humano tem uma qualidade humana' -, então a música engloba o homem e o humano pois é a sua alma, se por alma se considerar o que de imortal a essência humana, transcendendo a sua condição material, abrange.) (...)

Só pelo som se pode articular o conteúdo da música. (...) Qualquer verbalização é a mera descrição da nossa reacção subjectiva - ou mesmo fortuita - à música. Mas o facto de não se poder articular por palavras o conteúdo da música não significa, evidentemente, que ela não tenha con­teúdo; se assim fosse, as execuções musicais seriam totalmente desnecessárias e seria impensável que nos interessássemos por compositores, como Bach, que viveram há séculos. No entanto, nunca devemos deixar de perguntar a nós mesmos qual é exac­tamente o conteúdo da música, essa substância intangível que só pelo som se pode exprimir. Não se pode defini-la simplesmente como sendo dotada de um conteúdo matemático, poético ou sensual. É tudo isso e muito mais. Tem que ver com a condição humana, na medida em que a música é escrita e executada por seres humanos que exprimem os seus pensamentos, sentimen­tos, impressões e observações mais íntimos. Isto aplica-se a toda a música, independentemente do período em que os composito­res viveram e das óbvias diferenças estilísticas entre eles. Por exemplo: trezentos anos separam Bach e Boulez, e no entanto ambos criaram mundos que nós, enquanto executantes e ouvin­tes, tornamos contemporâneos. (donde, tocar, e ouvir tocar, é tornar contemporâneo, no sentido histórico e no sentido ontológico: actualizar, tornar presente. do caldo primordial do silêncio que é todo o som, todo o som, enquanto vida e ressuscitação, torna tangíveis seres, existências e emoções veiculadas por uma matéria imaterial que é propagação de ondas. ondas sonoras. ao ser sopro, som é água. e dela todos provimos.) A condição do ser humano pode, evidentemente, ser tão grande ou tão pequena quanto o ser humano queira que ela seja, e o mesmo se pode dizer da própria composição. (...)
Podemos definir "sensibilidade musical" como uma afeição instintiva ou intuitiva pelo som como meio de expressão. Mas não basta ter sensibilidade musical se não for conjugada com pensamento. Em música não pode haver emoção sem compreensão (por isso ser da ordem do criminoso não haver educação musical nas nossas escolas até ao fim dos estudos liceais) - mais um paralelo claro com o que se passa na vida. Como é que vivemos com disciplina e paixão? Como estabelecemos a ligação entre o cérebro e o coração? Em música, exprimimos ampliando ou acelerando o tempo, alterando o volume, a qualidade do som e a articulação, o que significa alongar ou abreviar certas notas. Se a música pode ser definida como som com pensamento (vou tornar minha esta genial definição!), então nenhum destes processos pode ser aplicado deliberadamente; e a técnica deve estar ao serviço do objectivo mais elevado de exprimir a música e o executante deve ser o mestre que coordena estes elementos, interligando-os constantemente, não permitindo que qualquer deles se mantenha independente dos outros. (sendo assim, está efectivamente 'tudo ligado': os componentes musicais entre si, o compositor e o executante, o executante e o ouvinte; o silêncio e o som, o som e a música, a música e a vida. fazer, tocar e, em última instância mas não menor, ouvir música, é sangue que irriga o corpo inteiro, emoção e mente, mente e espírito, espírito e tudo.) (...)

Daniel Barenboim, Está tudo ligado - O Poder da Música, Ed. Bizâncio, "Som e pensamento", pp 13-24
(espero sinceramente que tenham ficado com vontade de ler o resto :-)
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para que se possam ouvir as obras citadas na sua totalidade fiz as respectivas jukes-box, colocadas, naturalmente, em # música exacta

Beethoven - Sonata nº 8 op. 13 Patética

1. Grave - Allegro di molto e con brio

2. Adagio cantabile

3. Rondo. Allegro

por Sviatoslav Richter, 19.12.1948, ed. Melodiya - The Russian Label / BMG, 1995
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Beethoven - Sonata nº 30 op. 109

1. Vivace ma non troppo. Sempre legato

2. Prestissimo

3. Andante molto cantabile ed espressivo

por Claudio Arrau, 1965, ed. Philips Classics, s/ data

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Wagner - Prelúdio I Acto de Tristão e Isolda

por Herbert von Karajan (dir) & Wiener Philharmoniker, 1987, ed. Deustsche Grammophon, 1988
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obrigada, maria helena. bem-haja.
e um bom fds para todos!
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quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

:)))) fabulástico - e muito divertido


Cecilia Siqueira and Fernando Lima (Duo Siqueira Lima), Tico Tico no Fubá (Zequinha de Abreu), 8 Maio de 2009

(recebido por mail)

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

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que amor não me engana, josé afonso, cd venham mais cinco, 1973
que amor não me engana I e II, antónio pinho vargas, cd duplo solo II, 2009
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segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

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ouça um bom conselho que eu lhe dou de graça



...(trauteando o chico buarque, claro!)

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...(e tenham lá uma boa semana, oh gente da minha terra)
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quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

para desfazer dúvidas quanto ao meu ecletismo musical, deixo-vos com 3 posts tão trabalhosos que vou descansar durante uns dias!!

cecilia bartoli & sacrificium

sobre a minha relação com o bel-canto expliquei-me aqui.

sobre bartoli nunca me expliquei.

cecilia bartoli é uma mezzo-soprano invulgar. com somente 43 anos, já se firmou, e há muito, como uma das mais expressivas e poderosas vozes de todo o bel-canto feminino. mas mais do que isso, bartoli não se limita a cantar, e muitíssimo bem, seja em récitas, em óperas ou em cd o que escolhe para interpretar. o que bartoli tem de único (corrijam-me os entendidos, que neste campo eu não o sou) é a sua investigação musicológica que serve projectos orientados por uma ideia, um tema, um objectivo.

talvez haja marketing por detrás - só aumentaria a minha admiração por ela.

mas o que há de certeza é uma obra cada vez mais rica, invulgar e interessante.

opera proibita, em 2005, dedicada a árias de óperas que, como o nome indica, foram compostas numa época em que estavam proibidas (pela Igreja); the vivaldi album, em 1999, ou o ressurgimento daquele compositor italiano para além das 4 estações; maria, um tributo à cantora de ópera, mas também compositora hoje quase desconhecida, da época romântica, maria malibran. e agora, deus meu, isto:




estreia mundial em disco de 11 célebres árias para castrados (castrati), muitas das quais nunca mais tinham sido cantadas desde a sua criação. na edição de luxo, um segundo cd com mais três lendárias árias. e um livro com mais de 100 páginas que, além da análise dos temas e da explicação e contextualização históricas deste fenómeno, a um tempo de horror e de sublimidade, inclui um glossário muito completo e ilustrado sobre este fenómeno que ocupou cerca de 300 anos da nossa história e da história da música, nos séculos XVII, XVIII e XIX, e que foi directamente motivado pela proibição religiosa da presença de mulheres nos palcos, incluindo os musicais.

prática de crueldade infinita, ao serviço da arte se colocava o sofrimento físico dos meninos e o destroçar das suas vidas enquanto homens, já não de corpo inteiro, até falecerem. ablação dos testículos feita sem qualquer anestesia, entre os 6 e os 10 anos, na esperança - quase todos eles eram provenientes de famílias muito pobres - de que pudessem vir a alcançar a fama e o estrelato que, todavia e naturalmente, se cingiu a poucos.

dezenas, centenas de milhar de rapazes com a vida literalmente cortada e a quem, se famosos, o público lançava o grito, no final das suas actuações ou das suas árias mais esplendorosas, EVIVVA EL COLTELLINO!. E viva o cutelo, o cutelozinho, a navalha, a navalhinha... há palavras para o horror, para a desumanidade, para a falta de decência condensados nesta exclamação?

prática proibida oficialmente pela Igreja embora muitos tenham cantado para ela ou feito parte dos seus quadros de monges (habitualmente após envelhecerem e nada mais lhes restar senão o convento), os castrati contudo foram presença não só constante mas quase obrigatória nas cortes mais ricas da Europa.

e alguns foram tão célebres que despertavam fenómenos de idolatrização comparáveis a qualquer actual rock ou pop star - ou até mais.

e a voz de todos eles era de um timbre tão especial que nenhuma outra a pode reproduzir. os homens contra-tenores porque cantam em falsete, as mulheres mezzo-sopranos porque são mulheres. os castrados, os eunucos, eram, como chamados na época, homens do terceiro sexo (na mais gentil das classificações). insubstituíveis.

exerciam um poder e um fascínio, também sexual, que desde logo tinha a ver com a sua forçada e anti-natural androginia. vozes celestiais como as das crianças mas com o alcance e o poder que as dos homens contêm, as árias para eles compostas são das de mais difícil execução técnica de todas, com exercícios de virtuosismo vocal que cobre três oitavas de extensão, coloratura interminável, dimensão de fôlego quase sobre-humana, legatos infindáveis... se adicionarmos a isto o luxo dos cenários, figurinos e adereços das óperas naquela altura, compreenderemos melhor quanto perante deuses o público se devia sentir. e porque tantos reis e rainhas e restantes membros das cortes os contaram como seus amantes.

nesta obra, 'bartoli alterna as árias de bravura, cheia de efeitos pirotécnicos [ilustro com Cadrò ma qual si mira, de nos deixar à beira da apoplexia], com as árias lânguidas e lentas, duma tristeza infinda [ilustro com Ombra mai fu, de nos deixar de lágrimas nos olhos]. A cantora tem uma explicação lógica para esta dicotomia: as primeiras reflectem o exibicionismo macho, o grande fôlego dos atletas; as segundas testemunham a tragédia pessoal dos castrati, privados da sua identidade sexual e do seu equilíbrio emocional. São das árias mais tristes de toda a literatura vocal'. (jorge calado, expresso, artigo e entrevista a bartoli que utilizei para este post, bem como as notas incluídas no tal livro que o duplo cd inclui). optei ainda por ilustrar com uma outra ária, de nicola porpora (o principal compositor para e professor de castrati da escola napolitana que foi o universo de trabalho de bartoli) que mescla ambas as características apontadas - Parto, ti lascio, o cara.

as imagens de bartoli utilizadas nesta edição demonstram quanto ela não só é uma mulher inteligente como sente a tragédia de que quer aqui dar conta: no corpo de estatutária romana, de deuses ou homens perfeitos a quem os testículos foram cortados, nesta pele rasgada por fendas que são cicatrizes, nestes corpos mutilados mas que resistem, bartoli condensa visualmente uma história impressionante e figura o imenso respeito que por todos eles devemos sentir. a alguma nostalgia por não os podermos vir a ouvir mais, a profunda alegria que uma moral, finalmente humana, tenha saído vitoriosa contra tais tenebrosos custos da arte vocal.


é com convicção mas também emoção que vos peço que ouçam estas árias. não tenho feito outra coisa nos últimos dias...


Cadrò, ma qual si mira (I shall fall, just as one sees fall) / Parte cader dal monte (part of the rocky summit) / Della sassosa fronte (of a mountain) / Che quant'a lei s'oppone (which strikes and shatters) / Urta, fracasssa e seco (anything in its path) / Precipitando va (causing it too to plummet) // E se non resta oppresso (and if he is not crushed) / Dalla fatal ruima (by that dreadful collpase) / Sente dalunge anch'esso (the terrified sheperd) / Attonito 'l pastore (also hears from afar) / Lo strepito del colpo (the noise of the fall) / Ch'impallidir lo fa (at which he growns pale)



Ombra mai fu (never was the shade) / Di vegetabile (of any plant) / Cara ed amabile (sweeter, dearer) / Soave più (more aggreable)



Parto, ti lascio, o cara (I go, I leave you, o my love) / Ma nel partire io sento (but, as I leave, the torment) / Troppo crudel tormento (I feel is too harsh) / Non sarà tanto amara (the pain of death itself) / La pena del morir (will be less bitter) // Perfide, stelle ingrate (cruel, faithless stars) / Se non volete, oh Dio (if, O god, you will not) / Aver di me pietate (take pity on me) / Non date all'idol mio (do not impose such) / Si barbaro martir (dire suffering on my beloved)

laïka fatien & misery

[incluível na rubrica 'senhoras para se ter debaixo (de ouvido, claro, que este é um blog respeitável)']

há encontros assim: que nos fazem parar. e virar o pescoço à passagem. e perguntarmo-nos: quem é?




foi o que me aconteceu com laïka fatien, a menina cantante misteriosa desde aquele post no dia 11. (sim, fj, é esta!!).

2 cd's só (look at me now, 2006, misery - a tribute to billie holiday em 2008) desta francesa de origens várias, residente em espanha e que canta como respira e que respira como canta: com coragem. arriscando um repertório tão diverso quanto 'eleanor rigby' ou 'bird alone' (no 1º cd) ou os hits de imensa responsabilidade que inclui no 2º cd, do qual já escolhi 3 faixas e agora outras 3, laïka fatien garante desde já uma extrema qualidade na escolha dos seus acompanhantes, segurança na voz, desejo de construir uma carreira singular. e um gosto pelo risco que amiúde se encontra ausente noutras meninas cantantes de jazz que por aí pululam como cogumelos.

alucinogénea? sem dúvida. porque nos faz querer repetir. e porque nos faz desejar mais.




right? right.

the legendary tigerman & femina

paulo furtado anda por aí desde 2002 num trajecto solitário e muito original: blues e rock feitos e tocados em locais não propriamente underground mas definitamente alternativos, vincam um som arranhado e poderoso de guitarra eléctrica, harmónica, bateria e voz. todos num só: ele mesmo no seu alter-ego artístico - the legendary tigerman.

not my cup of tea, impossível contudo ficar indiferente a:



femina: paulo furtado e as mulheres, como mulher, com as mulheres.

capa que concentra e explica todo um projecto interessante e humilde: «Eu acho que os homens não conseguem cantar as mulheres», confessa Paulo Furtado. «Acho que somente conseguem cantar uma certa imagem da mulher». E por isso, Paulo pediu-lhes que cantassem para ele as seguintes meninas: Asia Argento, Maria de Medeiros, Peaches, Becky Lee, Rita Redshoes, Lisa Kekaula (The Bellrays), Cláudia Efe (Micro Audio Waves), Phoebe Killdeer (Phoebe Killdeer & The Short Straws), Mafalda Nascimento, Cibelle e o Cais do Sodré Cabaret.

seleccionou temas alheios, escreveu outros a pensar nelas, para cada uma criou universos diversos, com cada uma gravou de diferente maneira e eis que o resultado é uma obra muito consistente e, surpreendentemente, homogénea; na diferença existente entre vozes e estilos tão díspares, Femina surge como Tigerman em todo o seu esplendor. o que não deixa de ser curioso: o que estas mulheres cantam são as mulheres de tigerman. tigerman é assim femina. tornado mulher pelas mulheres que o cantam.

(gosto desta ideia)

escolhi este brinquinho, que me parece exemplificativo do ambiente geral do cd:




encontram mais brinquinhos na página do artista.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

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é o regresso de barbra streisand, aos 67 (67...) anos. 'love is the answer'. duplo cd: primeiro, com arranjos do enorme johnny mandel, a condizer com o projecto geral do disco; segundo, com o quarteto de diana krall, que simplesmente pretende ser isso mesmo, um quarteto acústico (não se espere jazz, porque não era claramente essa a intenção). canções: as mesmas nos dois álbuns (o 1º com o bonus track 'you must believe in spring'), nenhuma deles previamente gravada pela cantora.

barbra continua detentora de uma esplêndida voz e ainda mais esplêndidas técnicas vocais, agora ao serviço da auto-protecção - não abrir a voz porque ela já não aguenta ondas de outros tempos, sussurrar a voz condensando sabedoria de vida. o todo é uma obra calma, terna, romântica, nostálgica até. não se espere grande arrebatamento - serene-se a alma, que a música tem também esse infinito poder, o de nos pacificar.


quanto a 'where do you start', ou não conhecia ou foi como se não a conhecesse: é uma canção lindíssima. e barbra usa o tom certo para ela - o de nos fazer suspirar que todas as rupturas pudessem ser assim. sem mágoa.

(e, agora sim!, yuppi que andava há que tempos para perceber como o fazer!, um audio player MUITO LINDO!! muita cabeçada na parede e 37 euros depois, ei-lo!! :-)))))

"três clips, uma música"

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ide, ide ver

este magnífico post
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segunda-feira, 19 de Outubro de 2009

these foolish things



(remind me of you)
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não há como: só a música tem este poder (II)




bute fazer uma petição para algo semelhante cá nos nossos burgos?


uma boa semana para todos :-)

domingo, 18 de Outubro de 2009

ahahahah!! (ainda sobre a maitê proença, em jeito de ponto final parágrafo)


Trabalho de Hype & Ranho

and the livin' is easy VII (actualização da juke summertime)

(fazendo um bocadinho de humor negro, tendo em conta o outubro que tem estado, este post teria dado também para sinalizar o blog action day '09 - climate change...)


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segundo sugestão do meu mano-do-costume na caixa de comentários da juke apresentada neste post, duas novas entradas; pena só que não vislumbre, como contraponto a elas, mais duas versões vocais que lhes possam fazer jus - isto porque pretendi naquela juke emparelhar interpretações mais ousadas do tema em causa.

(veremos, veremos...)



Sidney Bechet (ss) com Meade Lux Lewis (p), Teddy Bunn (g), Johnny Williams (cb) e Sidney Catlett (b), Nova Iorque, WMGM studios, 8 de Junho de 1939




Stan Getz (st) com Gary Burton (vib) Chuck Israels (cb) e Joe Hunt (b), álbum Getz Au Go Go, "Cafe Au Go Go", Greenwich Village, Nova Iorque, 22 de Maio de 1964
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se tivesse sido um tuga a fazer esta brincadeira, teria direito a petições na net e pedidos de desculpa ao povo brasileiro via embaixada de portugal?


(carregar sff)

electrodomesticozinho

pois um electrodoméstico que se preze tem dois anos de garantia!


tstststs


Submarinos comprados pelo Estado têm 1 ano de garantia

hummmm... então e depois?!?

depois,

Quando o período de garantia passar, o consórcio alemão GSC fica obrigado a prestar apoio durante 30 anos.

ah! assim está bem! okok

mas!,

Pela manutenção técnica dos navios, o GSC vai receber cerca de cinco milhões de euros por ano.

(daqui)


(se fosse anedota até tinha piada)

sábado, 17 de Outubro de 2009

to fall in love with pink



mas afinal não era tudo

em 1963, já depois de ter rompido com a Warner Bros e ter criado uma empresa de produção com David DePatie, Friz Freleng, um dos geniais criadores para sempre associado às Looney Tunes e às Merrie Melodies, foi convidado para imaginar um genérico animado para a comédia The Pink Panther, de 1963, realizado por Blake Edwards. e com Hawley Pratt criou isto:



não surpreendentemente, o êxito foi retumbante, com o tema de Henri Mancini a ajudar à festa. parelha imparável - o personagem e a música -, tinham que ter seguimento. e tiveram-no.
assim:



the pink phink, 1964

2 méritos:

primeiro,
obteve - o que foi inédito na história dos desenhos animados - o óscar para melhor curta-metragem (em 1965), quer dizer, curta-metragem de estreia de uma série

segundo,
na linha do excepcional tratamento que a música e banda-som sempre tiveram na história dos desenhos animados norte-americanos, inicia uma espantosa obra (ao todo, 124 'cartoons') em que a palavra por parte do protagonista (salvo duas excepções) está totalmente ausente. porque é de todo desnecessária - imagem e som são o significado, e o poder dele.
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a pantera cor-de-rosa é o equivalente bem disposto de buster keaton.
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esperta, determinada, teimosa, malandra,
tem de bugs bunny a persistência e de piu-piu a suposta candura.
de todos os desta linhagem, o non-sense e a omnipotência.
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mas tem mais:
um charme expressivo e uma suavidade impressiva.
só dela.
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serão os melhores 1,95 que gastarei as 10 semanas
que dura esta colecção do Público aos sábados.
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(estes gajos só me fazem gastar dinheiro, mas neste caso, contrariamente à 'bossa nova',
tenho a certeza de que não me arrependerei!)

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

voz aberta a agustina bessa-luís

Photobucket





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BLOG ACTION DAY '09 - CLIMATE CHANGE



(mais informações aqui)


trocado em miúdos:

1. uma iniciativa com sentido: utilizar a web para acções conjuntas e com objectivos elevados

2. fazer parte de uma comunidade com milhares de pessoas de todo o mundo que sinalizam as suas preocupações face a problemas efectivamente planetários

3. faz bem.

4. mesmo quando dói:



Advertising Agency: Ponto de Criação / Fluor, São Paulo, Brazil. Creative Director / Copywriter: Guto Araki.
Art Director: Reinaldo Pina. Illustrator: Tribbo Post. Photographer: Ricardo Carvalho. Audio: Comando-S.

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

and now for something (literally) funny

QUEM É QUE DIZ QUE O PORTUGUÊS É COMPLICADO ???

Para pararem de dizer que a Língua Portuguesa é complicada...


*ler em voz alta*


Três bruxas olham para três relógios Swatch. Qual bruxa olha para qual relógio Swatch?

E agora em inglês:

Three witches watch three Swatch watches. Which witch watchES which Swatch watch?


Hum... Foi fácil? Então agora para os especialistas:


Três bruxas suecas e transsexuais olham para os botões de três relógios Swatch suíços. Qual bruxa sueca transsexual olha para qual botão de qual relógio Swatch suíço?

E agora em inglês:

Three Swedish switched witches watch three Swiss Swatch watch switches. Which Swedish switched witch watchES which Swiss Swatch watch witch?


Conseguiram?

Não??!! Então pronto! Parem de dizer que a Língua Portuguesa é complicada!!!!



:D



(recebido por mail)

and now for something (literally) sweet





(adoro publicidade criativa :-)

ai portugal portugal

EHEHEH


IHIHIHI


OHOHOHOH


AHAHAHAHAHAH


MAS... MAS... QÉ QÉ ISTO?? QUE INSULTO É ESTE??? PEDIDO DE DESCULPA JÁ!!!!!


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1. país que não sabe rir de si próprio é país doente.

2. país que só admite rir de si próprio se for o próprio a proferir a chalaça, é país esquizofrénico.

3. maitê proença exibe preconceitos contra o país-"imão" naquela brincadeira (cujo único mal é não ter grande, ao alguma, graça) para o programa 'saia justa'? têm todos os brasileiros, e nem costumam ser tão meigos - ela diz que somos 'esquisitos', eles normalmente costumam apelidar-nos directamente de 'burros'; é novidade que estamos para o anedotário deles como os alentejanos estão para o nosso? não, pois não? então? qual a razão deste melindre todo, salvo ser saloíce e patriotismo parolo da pior espécie?

4. a preconceito, estúpido como qualquer preconceito, respondemos como virgens púdicas, ofendidas e chauvinistas? melhor faríamos estar quietos, pois não só caímos no ridículo (já caímos aliás) como damos mais argumentos a quem nos encare com arrogância paternalista. uma reacção com as proporções inimagináveis que esta tomou (vandalização do perfil dela na wikipedia, criação de um grupo de 'ódio anti-maité proença' no facebook, petições a correr na net exigindo pedidos de desculpa ou que ela seja considerada persona non grata em portugal!) só pode estar a ser recebida com total estupefacção, seja pela visada, seja por qualquer pessoa de bom-senso.

5. aliás, tal como ela, e muitos como eu, 'vá entender' que salazar tenha sido escolhido como o mais ilustre e importante português da nossa História.

6. e ainda, tal como ela, e muitos como eu, pasmo com a péssima qualidade de serviços, praga nacional (ela não teve em hotel de 5 estrelas quem lhe prestasse apoio informático, eu não tive quem me prestasse serviço de quarto - limpeza do chão da casa de banho - às 22h, em estabelecimento de igual "categoria").

7. quanto ao resto, a srª é pateta e ignorante. mas mais patetas e ignorantes somos nós por fazermos deste episódio, decorrido em 2007 por parte de uma figura que, embora pública, não é política (o que deveria ajudar-nos a perspectivar a gravidade, ou falta dela, do ocorrido), um caso nacional e diplomático.


sim, leram bem, diplomático: a embaixada do brasil em lisboa já veio lamentar o video de maitê proença.



portugal - mais uma vez se comprova - ensandeceu.



(enquanto estes folclores decorrem, continuamos a ser f*** por tudo quanto é sítio a nível político, económico, cultural e social. mas isso são minudências face a esta afronta nacional:



evidentemente)



(a pobre coitada até já fez um novo video com pedido de desculpas... tudo isto é tão ridículo... tão pequenino... tão pobrezinho... tão palerma... tão mesquinho... tão rasca.)