Sexta-feira, 2 de Março de 2012

lindo :-)


(e lá vou eu prá tv ou prós streams. 20h15, né?)

(nem consegui pôr a etiqueta 'futebol clube do porto é o maior' :D

Dia 2- 2º desafio - Mãe/Pai

.

amores-perfeitos


foto tirada em casa de

meus pais



(repost: originalmente publicado dia 18 de maio de 2009)


Quinta-feira, 1 de Março de 2012

se ela é uma fácil a desafiar, eu sou uma fácil a aceitar :)

(fuschia, desculpe os termos, pois acho que nunca interagi consigo em nenhum blog. não leve a mal :)

o desafio está aqui: 31 dias de março, 1 tema por dia, o que nos der na bolha para escrever ou postar sobre ele.

dia 1, 1º desafio - Livro


a invenção de hugo, martin scorsese, 2011

antes expressei o meu encantamento com este filme, um dos melhores de todos os tempos, na minha (como habitual) enfática e apaixonada opinião.

tenho-me sustido a falar mais sobre ele, em detalhe, porque alimento a expectativa de que toda a gente o vá ver, e não quero mesmo contá-lo :-)

digamos, para abreviar, que

- os livros têm, nesta obra, o exacto papel que sempre cumpriram em toda a criação: conhecimento, informação, evasão, fantasia e aventura.

- livros e filmes são, portanto, nesta obra, irmanados naquilo que os origina e naquilo que eles provocam.

- christopher lee não é vampiro de sangue, nesta obra, mas de letras, cada quais adequadas a cada um. tudo sabe - onde estão -, tudo sabe indicar - a quem ainda nem sequer sabia que estava.

- é o caso desta cena capital, nesta obra, verdadeiro nó górdio onde toda a narrativa se centra e a partir da qual toda a acção pode acontecer - a das páginas magicamente animadas do livro, a da trama propriamente dita, a da resolução da história e a da definição do destino dos protagonistas.

acresce que o cenário é lindo e majestático: biblioteca-catedral-gare de comboio (lindo o raccord que estabelece com a apresentação inicial da gare de montparnasse), tudo feito de imobilidade (objectos-livros), adoração (aos livros e aos filmes), gare de comboio (movimento-filmes). na ilusão de infinidade que produz, este local serve como metáfora da 'never ending story' que é a cultura, sua produção e sua transmissão, literária e cinematográfica. a última devedora da primeira, que usou como caução, a primeira vivendo por esse outro interposto meio, directa (filmes adaptações, como este aliás) ou indirectamente (cinema como arte narrativa).

no fundo, uma de muitas cenas que demonstram que, neste filme, tudo acontece com a precisão de um relógio construído por um inteligente e sensível relojoeiro - como não amar scorsese?


enfim, e para rematar:
foi a imagem que imediatamente me ocorreu quando vi qual o desafio para hoje. e isso já seria um bom motivo para este post. :-)


(vão ver o filmeeeee!)



está a chover

:))))))))))))))))

Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

mud horse* (ou: acontecimentos que me reconciliam com a vida)

Nicole estava a passear de cavalo com a filha na praia quando o animal ficou atolado na lama. Como se encontrava perto do mar e a água estava a subir, o risco de o cavalo se afogar era grande e Nicole passou horas a segurar-lhe na cabeça.

As equipas de salvamento demoraram três horas a libertar Astro, o cavalo de 18 anos, que teve de ser sedado para poder ser retirado da lama. Nicole, que frequenta a praia há 20 anos, nunca se tinha apercebido que o terreno era tão pantanoso.

"Fiquei tão aliviada quando vi os bombeiros a chegar, estava a ficar muito cansada. Eu estava desesperada. Foi de cortar o coração, ver o meu cavalo a sofrer e a lutar para sair dali", contou.




(*war horse é um pastelão spielberguiano do piorio; mas, como previsível, fartei-me de chorar.)

(música a propósito)

keith jarrett, be my love, in the melody at night, with you, 1999

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

o discurso. a entrevista nos bastidores.





(amei)

SHE WON! SHE WON!!!!!


na Red Carpet desta noite

e que maravilhoso discurso... engraçado, humilde, comovido, distinto, grato... que mulher, que senhora esta.

quanto aos outros (lista completa aqui), assinalei no post abaixo, com bold, os que acertei ; fiquei muito triste pelos que errei, particularmente quanto à Melhor Banda Sonora e ao Melhor Filme.

mas o tempo, esse, irá dar-me razão quanto a Hugo - um dos melhores filmes de todos os tempos, equiparável ao Feiticeiro de Oz, ao ET ou ao Grande Peixe, enquanto que O Artista ficará como uma curiosidade francesa que afagou o ego dos americanos em 2011.


a cerimónia? a pior de que tenho memória.

e agora vou dormir.

Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

os meus óscares:

Melhor Filme - A Invenção de Hugo

Melhor Realizador - Terrence Malick, A Árvore da Vida

Melhor Argumento Original - Woody Allen, Midnight in Paris

Melhor Argumento Adaptado - John Logan, A Invenção de Hugo

Melhor Actriz - Meryl Streep

Melhor Actor - nenhum se destaca (note-se, aliás, que a competição entre actrizes é feroz, e nesta categoria... pfffffft... mas, enfim, pode ser Brad Pitt, Moneyball)

Melhor Actriz Secundária - impossível escolher :-) entre Janet McTeer, Albert Nobbs e Octavia Spencer, As Serviçais

Melhor Actor Secundário - Christopher Plummer, Isto é o Amor

Melhor Banda Sonora - Howard Shore, A Invenção de Hugo

Melhor Caracterização - Mark Coulier e J. Roy Helle, A Dama de Ferro

Melhor Direcção Artística - Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo, A Invenção de Hugo

Melhor Guarda-Roupa - Mark Bridges, O Artista

(nas restantes categorias técnicas não vi todos os filmes)


e disse.

quem pode roubar o óscar à meryl streep esta noite

não é


não é


não é


pode ser


consoante o tipo de transfiguração que a Academia preferir - a de numa figura ficcional ou a de numa figura histórica.

e, espero eu, consoante o entendimento do que será mais justo - após 17 nomeações e ter ganho o último óscar há 30 anos, não se entende bem o que MAIS precisa meryl streep de provar àqueles jarretas todos (94% brancos, 77% homens, com média de idade de 62 anos, sendo que abaixo dos 50 anos são apenas 14% dos votantes) para receber o reconhecimento por ser a melhor actriz norte-americana em actividade e uma das maiores de todos os tempos, em todas as latitudes e em todas as longitudes.

sim, reconheço que estou praqui em sofrimento.

(por ordem: rooney mara, millenium 1; viola davis, as serviçais; michelle williams, a minha semana com marilyn; glenn close, albert nobbs - magnífica, magnífica, magnífica - a sua melhor interpretação, a par de ligações perigosas; mas streep é estarrecedora em a dama de ferro. ser estarrecedor é superior a ser magnífico. magníficos podem ser muitos, de estarrecer muito poucos.)

Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

estreou em setembro, só hoje o vi: um dos melhores filmes de 2011


e que vai garantir a christopher plummer o óscar de melhor actor secundário. hopefully.

(esta imagem dele por mim escolhida contraria em muito, com efeito, a mensagem do filme. mas como não a escolher? :-)

e ainda: christopher plummer* tem toda a razão em ficar aborrecido por falarem de uggie e não de cosmo

ambos são da raça jack russell, ambos são protagonistas em filmes nomeados para óscares.

mas enquanto uggie faz gracinhas amestradas, cosmo é simplesmente um cão.



e por isso tão amado por todos os personagens.

e por mim.

(* referência à entrevista saída na Revista do Expresso de hoje)

Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

Situação de seca extrema declarada em todo o território nacional.


(link para reportagem da SIC, cheiinha de "dados insuficientes" para a ministra largar as rezas e agir, como há muito lhe competia, economica e politicamente. a ver se é desta, ou se nos vem dizer que subiu de nível na fé e fez promessa à nossa senhora de fátima. de preferência, indo de joelhos até lá, para que sangrem muiiiito.)

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

saudades vossas

saudades tuas

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2012

o ricardo araújo pereira está imparável :D

É difícil distinguir a linguagem político-militar da linguagem militar simples. Os recrutas, na tropa, ouvem que a boa vida que tinham antes acabou. Que quem acha que não aguenta deve sair. Que são preguiçosos. Que têm de fazer sacrifícios pela pátria. Que devem deixar de ser piegas. Os portugueses, na caserna, ouvem o mesmo: que viviam acima das suas possibilidades, e por isso a boa vida que tinham antes acabou. Que quem acha que não aguenta deve emigrar. Que são preguiçosos, e por isso têm de trabalhar mais, dispor de menos feriados, deixar de festejar o Carnaval e ter férias menores. Que têm de fazer sacrifícios pela pátria, empobrecendo. E que devem deixar de ser piegas. Passos Coelho está a fazer de nós homens. Na impossibilidade de nos aplicar, como castigo, séries de 20 flexões de braços, cobra impostos. Flectimos o braço na mesma, mas é para ir buscar a carteira ao bolso. É duro, mas tem de ser. Porque Passos Coelho sabe melhor do que ninguém o que acontece àqueles portugueses menos esforçados, cuja capacidade de trabalho lhes permite arranjar emprego apenas nas empresas dos amigos, e que por opção, e não por necessidade, deixam a conclusão da licenciatura lá para os 37 anos: podem chegar a primeiro-ministro. E esse é um destino trágico que ele não deseja aos seus compatriotas.

in Visão

é carnaval mas eu levo MUITO A MAL!!

No Parlamento, a ministra da Agricultura disse, esta tarde, que sendo uma pessoa de fé, vai continuar à espera que chova, defendendo que ainda é cedo para pedir ajuda a Bruxelas. A ministra quer reunir mais dados, esclarecendo que não pode pedir ajuda apenas com base em percepções de que há seca ["percepções?!?!? - DADOS DE 9 FEV (agora já é pior) - 44% em seca fraca, 12% em moderada e 11% em seca severa!].

e esta GAJA diz que porque é um pessoa DE FÉ (?!?!?) não pede ainda ajuda a Bruxelas?!?

mas esta GAJA está a brincar com quê, e com quem?

para além de não ter noção do RIDÍCULO, a sua irresponsabilidade ASSASSINA chega a este ponto?

não, não foi brincadeira minha! - ouvir!

muito completo

historial de filmes, realizadores ou actores não-americanos agraciados com nomeações ou óscares.

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

o novo feiticeiro de oz*

a mais difícil arte na crítica cinematográfica é opinar sem contar.

e, na minha opinião, Hugo não deve ser contado, em particular se forem, como espero, com uma criança pela mão.

mas posso adiantar que há muito, muito tempo que uma cena de um filme - uma aparição, mais propriamente - não me fazia suster involuntariamente a respiração, o baque no coração, as lágrimas a inundar os olhos. pelo inesperado, pela ternura, pela gratidão e pelo significado.

e essas são as abordagens que me interessa partilhar.

inesperada, toda a trama - mescla de fantástico, de sonho, de realidades feitas de fantástico e de sonho. como o cinema, essa possibilidade metafísica de transformar em ilusão a mais material concreticidade e, a um tempo, transformar a ilusão em material concreticidade. a do que vemos e a do que sentimos e pensamos enquanto vemos.

ternura, a da homenagem - que, para além do lado fantasioso da trama narrativa (vontade imensa de adquirir o livro de Brian Selznick), muito conta, muito explica e muito mostra dessa maravilhosa época em que o cinema, por estar todo por fazer, podia fazer tudo, sem algemas nem clichés.

gratidão, pois sem Scorsese este filme não seria nunca a adaptação que foi. pois Scorsese é, de todos os cineastas americanos, o que de cinema mais sabe e mais vibra - com toda a sua inteligência, sensibilidade e conhecimento informado - e o faz com a paixão que este merece. o cinema, não os filmes. o cinema, para além dos filmes. o cinema, antes dos filmes.


significado, uno e múltiplo - uno pelo grito de desalento face a uma sociedade sem memória, sem heróis, sem letras e sem imagens fundadoras; múltiplo pelo uso de novas tecnologias para continuar a ser cinema no seu mais primevo ânimo: encantamento, estórias, personagens, e, muito mais do que tudo isto (que já tanto é), criatividade tecnológica, mecânica ou digital. «I could recognise anywhere the sound of a film projector» - eis, para mim, o coração de metal.

foi-me bom despedir-me de Hugo com Zaz , interpretando a canção incluída no genérico final.

esta (não por acaso, um coeur volant:


Animer, à la vie, les songes, les couleurs,
voir la lune,
les étoiles,
tout se retrouve à nouveau.


Serpentant dans les ruelles,
dans l'oubli, dans la peur,
petit génie aux doigts de fée,
fixant les heures,
ouvrant ses ailes,
un cœur qui pleurait, qui s'envole
l'amour a soigné ce qu'il manquait.

Elle était inconnue, curieuse et puis amie
un clin d'œil en offrande
petite sirène aux yeux de nuit
sa clé a porté le rêve vivant
un secret qu'ils partagent à présent.

Il était magicien d'images de poèmes
dompteur de rêves,
caché dans l'ombre,
seul avec son jeu brisé,
son cœur cassé
les choses en morceaux se réparent a nouveau.

Rêve ...
N'oublie pas les rêves!
Rêve...

(a propósito, a Howard Shore o Óscar para melhor banda sonora; sem dúvida!)

*que devia, portanto, passar a ser obrigatório nas tv em todos os Natais e nas Escolas em todos os anos lectivos. e não será, nem uma coisa nem outra: choldra de país, já vos tinha dito?

por que é que ficamos tão tristes com notícias de pessoas que não conhecemos?

Dame Judi Dench confessou ao jornal inglês "Daily Mirror" que está a perder a visão, devido a uma condição chamada degeneração macular - que afeta a retina -, mas quer continuar a trabalhar.

A atriz britânica de 77 anos diz que já tem muitas dificuldades em reconhecer rostos e ler, embora ainda consiga manter a vida quotidiana relativamente normal. "Já não consigo ler guiões por causa dos meus olhos. Alguém tem de mos ler, como se contasse uma história. Normalmente é a minha filha, o meu agente ou um amigo. Na verdade eu até gosto que mos leiam, porque sento-me e imagino a história na minha mente", explicou.

"Enquanto houver a possibilidade de trabalhar, não me vou retirar, porque se me retirar, vai ficar tudo muito pior e as coisas já são más assim como estão", justificou.

"O pior é quando vou jantar a um restaurante à noite, porque já não consigo ver a pessoa com quem estou a jantar. Sei que alguma coisa se está a passar, mas não consigo ver e isso enfurece-me, porque sinto que estão coisas a escapar-me."

porque as conhecemos.

(esta senhora está, para mim, ao nível da streep, isto é, na profunda admiração que lhe voto)

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

os filmes são para ser vistos em salas de cinema

ou para ser revistos aqui, na ausência de outra possibilidade...


João Salaviza, Arena, 2009
com Carloto Cotta, Cláudio Rosa, Rodrigo Madeira, Rafael Sardo

Palma de Ouro Cannes 2010.
Estreado em Portugal com Taking Woodstock, de Ang Lee, em 2009.

he believed he could fly


What´s it like flying down a mountain at 250 km/h?

Espen Fadnes - The World’s Fastest Flying Human Being 2010 - teamed up with Project Managers Goovinn to communicate the experience of flying. SENSE OF FLYING came out of the collaboration.

Credits:
Film by: Stavfel Produktion, Goovinn, Espen Fadnes
Idea: Espen Fadnes/Paul Göransson/Lars Idmyr
Wingsuiting: Espen Fadnes
Cameras: Carl Johan Engberg, Paul Göransson, Espen Fadnes, Lars Idmyr, Kjersti Eide

importante ouvir la palisse*

(desde que tem bigode ficou mais suportável)

tudo o que se passa, passa na tsf.

*porque, ainda assim, há quem não perceba tais evidências

Sábado, 18 de Fevereiro de 2012

este rapaz só me dá alegrias!!

e não, não é por ser um borracho...

Link
se já tinha trazido para portugal a primeira palma de ouro de cannes (com a sua 1ª curta), agora traz-nos o primeiro urso de ouro de berlim (com a sua 3ª curta)!

vá lá dizer-se que o miúdo não é um portento, e que este país não é um portento ao criar cineastas assim. :))

(e Miguel Gomes portou-se muito bem também, com o seu Tabu a arrebatar o Fipresci (prémio da crítica) e o prémio Alfred Bauer (fundador do Festival, atribuído a um filme que abra novas perspectivas para o cinema). orgulho pátrio.)

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

charles dickens, eisenstein e joão botelho - sem qualquer surpresa.

eu conto:

foi há alguns dias que se cumpriu a efeméride - duzentos anos é muito ano, nada, na realidade, quando em presença de um clássico tão clássico que a sua actualidade é desoladoramente gritante.

e eu, pelas notícias andando, sempre na expectativa de alguém, alguémzinho, que se lembrasse que um dos melhores filmes adaptação de obra dickensiana é nosso, tugamente nosso, botelhamente nosso. debalde, claro está.

antes de avançar na história, eis, deste último, um precioso texto (nem que seja para fazer entender a qualidade dos nossos cineastas, desses poucos, muito poucos, que existem no mundo afora a pensar cinema) :

O cinema é uma arte impura e vampírica: a história da moeda na ranhura para ver as primeiras imagens em movimento, o roubo continuado às outras artes, anteriores e mais nobres. Sabe bem, num tempo de abastardamento e infantilização dessa coisa que ainda se chama "cinema", poder agradecer a um artista, melhor, a um génio, possuidor de um cérebro desmedido, prenhe de saber e de um olhar alucinado de visionário. O que ele fez para tornar essa "arte" mais pura, arrancando-a dos pecados originais, atirando-a para cimos elevados perto das nuvens e da transcendência! Um deus científico com uma vida tão polifónica como as formas que criou.

Apetecia-me falar dos desenhos únicos, da extraordinária inovação dos textos teóricos, que tentavam fixar até ao limite do impossível a criação desmesurada do artista, da sua aproximação e afastamento a Freud, do Ulisses de Joyce, que ele elegeu como Bíblia do seu novo cinema, e de muitos, muitos etcéteras. Mas pediram-me um texto pessoal. Coragem, porque eu lhe devo, pelo menos, três saltos catastróficos (boas coisas, porque mexem o mundo) na minha vida.

Primeiro movimento - Sessão clandestina no Cineclube de Coimbra em 1968, O Couraçado Potemkine. Rebentou-me a cabeça e as convicções, a mim, católico e reaccionário. Movimentos colectivos. Comissão da cantina. É no estômago que as revoluções começam. E sentimo-nos todos pequenos imitadores de heróis de Eisenstein, com uma missão a cumprir. Assim começou a crise de 69 e a minha pequena e ridícula contribuição para a mudança do mundo. Segundo movimento - Escola de Cinema, finais de 1974. Como todas as coisas normais, também as aulas foram destruídas. Os alunos ao poder. Trouxemos Jacques Aumont e passámos 15 dias consecutivos de manhã à noite com A Linha Geral ou O Velho e o Novo.

É na montagem que tudo existe, é lá que tudo se decide. Na revista M, que eu fiz com uns amigos, está publicado o resultado dessa aprendizagem. Ninguém foi tão longe como Eisenstein na afirmação daquela certeza (talvez, anos depois, mas de um modo muito mais pálido, outro grande artista falou e praticou isso - Godard), chegando mesmo a tornar físico, palpável e material o "E", a coisa não filmada e a maior de todas.

Um plano "E" o outro. A composição polifónica: a abstracção plástica, o acontecimento objectivo e a reacção subjectiva no mesmo plano. E depois, desenvolvida na montagem sobretonal, vinda claramente da música, onde as cordas da narrativa se separam e se juntam tocando todos os sentidos e todos os neurónios. Sacrifícios e redenções, oceanos de crueldade e purificação do povo, metáforas arrasadoras logo desligadas num mar da redenção metonímica. As associações que afinal são o cinema.

Terceiro movimento - Tempos Difíceis, 1987. Sem o texto maravilhoso de Eisenstein Dickens, Griffith e Eu, nunca teria feito aquele filme como o fiz. Retirar toda a carne e a "lamechice" do romance para chegar ao osso e tornar a matéria da estrutura visível. Foi Eisenstein que me ensinou que afinal o inventor da arte cinematográfica era Dickens, anunciando-a muito antes de chegar a técnica que a permitiu. Se um capítulo acabava num evidente plano geral, o seguinte começava claramente na descrição de um grande plano. Até era possível encontrar ao longo do romance a figura mais mágica e produtiva, a elipse cinematográfica.

Lembrem-se da figura de Ivan, hierática, vertical e terrível, o ideograma eisensteiniano vindo de um pictograma da arte japonesa (um pássaro no céu) ocupando o terço direito do enquadramento e nos outros dois terços, vindo do horizonte plano, um mar de povo contorcendo-se em curvas. A turbulência que ameaça tudo pôr em causa. Não sentem o cérebro inflamado, as pernas a tremer e um aperto no coração? Não tenham medo, é só a matéria física das ideias.

11.07.2008 - João Botelho in Ípsilon (sublinhado meu)


pois bem, a história conclui-se assim: tenho como regra não promover a pirataria. mas não há regra sem excepção.

(particularmente tendo em conta que ele nunca foi editado - choldra de país este).

(e não agradeçam; não antes de ver o filme :)

(ela fez clip oficial - e que clip magnífico!)


carmen maria vega, la menteuse

(
réalisation: sowarr studio; production: oparadize films; link na imagem)

adoro esta sujeita :-))

(só ontem me apercebi que não tinha publicado este post - feito em outubro do ano passado!)

(estou tão em pulgas pelo anunciado novo álbum :)

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

esta miúda parte-me toda!


«Carmen est fière de vous présenter son nouveau concept, après le air guitar, le eyes singing. "my way".»

:D

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

to my darling valentine :-)


Catherine Russell - novo álbum, «Strictly Romancin'», a partir de hoje no mercado internacional: uma boa nova numa data bem escolhida.

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

o bafta já está



(o globo de ouro já estava, mas este discurso é muito melhor; antecipa-se um extraordinário nos óscares, portanto)

(ai deles que não!!)

vergonha absoluta. no dia da capitulação forçada de um país, aguardam-se 10' até que as tv se dignem largar a demissão do treinador do sporting

αρκετά! *



«Cinco anos de recessão, senão mesmo depressão; uma taxa de desemprego que passou de 8% para 20%, que continua a aumentar, e que mantém 50% dos jovens no desemprego; um tecido económico que já era débil e que avança, a passos largos, para o total definhamento; falências em massa; receitas fiscais em queda livre e sem perspectiva de inverter a tendência; ameaça de colapso do Estado e dissolução do sistema político. Em suma: estamos perante o colapso (deliberado) de uma economia, de uma sociedade e de um Estado.»

joão galamba


*basta!



(e sim, basta! nem os nazis conseguiram tanto!)

Domingo, 12 de Fevereiro de 2012

do êxito de o artista



NÃO ser uma homenagem ao cinema mudo

NÃO ser uma homenagem aos artistas do cinema mudo

NÃO ser uma homenagem aos artistas do cinema mudo trucidados pelo sonoro



MAS, SIM, ser pastiche de

- gene kelly

- a forma de dançar de gene kelly

- o filme serenata à chuva

- e milhentos pozinhos daqui e dacoli, como

- a ''original'' music de ludovic bource que, contudo, no seu melhor e mais dramático momento, usa 5 minutos inteirinhos da partitura de herrmann para vertigo, de hithcock...

DITO DE OUTRA MANEIRA

sim, é bom que haja alguém a radicalmente contrariar a onda 3D, efeitos especiais, cores berrantes, excesso de sonoplastia. e é bonito que tal filme possa vir a ganhar bueréré de óscares.

CONTUDO

desagrada-me a profunda falta de originalidade e

lamento que o orgulho, tantas vezes chauvinista, francês, não se tenha revelado nesta soberana oportunidade - a França, pátria artística do cinema; a França, pátria industrial do cinema; a França, de cuja caução os states necessitaram; a França, caramba, bem podia ter feito este filme inspirando-se no senhor de que até chaplin foi assumido devedor:



porque michel hazanavicius não o fez?

porque max linder não lhe faria ganhar um único óscar.

e é isso que deploro: o artista como sinal da decadência europeia.

Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

à atenção dos senhores da cia e do fbi*


SE A MERYL STREEP NÃO GANHAR ESTE ANO

A PORRA DO /@&$/&(%§§ DO ÓSCAR

VOU AO TEATRO

QUE VAI DEIXAR DE SE CHAMAR KODAK
**

E REBENTO AQUILO TUDO À BOMBA!!!


*(cf)
** (cf)

e a vergonha que eu senti? *

da looooonga justificação da tvi sobre a legitimidade da captura de imagens e sons da conversinha entre o gaspar e o outro

de o outro não se ter dignado a levantar-se, tal a arrogância imperialista e a falta de educação descarada, impaciente por estar a conceder o seu tempo a uma criatura menor [peço imensa desculpa: só após o post feito, e já fora de casa, vi uma fotografia de schäuble e me apercebi de que o senhor é paralítico, ou temporariamente estará numa cadeira de rodas; mas quanto ao resto da descrição da atitude dele, mantenho tudo.]

de o gaspar subservientemente se ter sujeitado a tal desaforo

dos obrigado, obrigado em-jeito-de-chapéu-amarrotado-entre-as-mãos-e-sobre-o-ventre, enquanto-reverenciadamente-se-retirava, em-vénias, recuando-pela-sala-fora


ppc é dos políticos mais coerentes que portugal já viu: não foi fortuitamente que acabou com o feriado do 1º de dezembro.



(se fosse espanhola, mais vergonha sentiria. a figura do gaspar deles foi ainda mais patética. parecia um algoz, corado de tanta excitação, a dar conta das torturas infligidas 'por honra a Si, Vossa Majestade'. repararam?)

*ou, como diria a outra - isto ainda vai dar merda

bom fds :)

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012

naice & biutiful

Black ice time-lapse, on a lake close to Noordwijk from gert gooris on Vimeo.

(encontrado aqui)

este ano, gostei.


(link na imagem)

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012



(queria dar extractos aos meus moços. descubro, horrorizada mas sem surpresa, que não há edição portuguesa - ou que, se houve, como presumo, estará esgotada. escolho uma edição francesa na respectiva amazon. em segunda mão. sorrio, quase comovida, quando o recebo. um lucrécio amarelecido, de la nature em vermelho desbotado, livro de bolso mas com introdução e notas (ah, a flammarion!), manchas de humidade detectáveis nas páginas com ele fechado, e, lá dentro, alguém.

não o sublinhou ou anotou furiosamente, mas a espaços. com lápis de cor, azul. às vezes, preto. outras ainda, com esferográfica vermelha fina. e, uma ocasião só, com esferográfica preta. anotações a lápis, algumas, o gesto de pousar o instrumento com que se sublinha para propositadamente usar tal lápis; outras, sem tempo ou paciência, anotando com a mesma ferramenta de escrita dos sublinhados. um livro abordado não como objecto de estudo mas de leitura por prazer e curiosidade. imaginar o alguém dentro deste livro - mulher por certo, dada a caligrafia, certa, minúscula, precisa, metódica - no banco de jardim, no comboio, no autocarro - mas nunca em casa -, a lê-lo, sem necessidade de óculos pois jovem seria, cachecol enrolado, camiseira decotada, t-shirt cavada, um primeiro casaco mais quente no alvorecer do Outono. ou talvez não demorando um ano; um mês só - a maior parte dos sublinhados são a lápis de cor azul. onde estará agora? morta, quem sabe? velhinha, a ver tv? a cuidar dos filhos, mulher de meia idade, aguardando com secreto entusiasmo os netos que hão-de vir? vendeu este lucrécio porque não é da sua área. aposto que é engenheira química, pois o que sublinhou, ao longo do livro, faz-me suspeitar que é alguém de ciências com sensibilidade de poeta - a que a fez, nestas duas páginas inteiras, sublinhar um único final de frase: «le genre humain est avide de fables captivantes».



e não é que é mesmo?)




(esta miúda é o máximo :)

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

cambada de piegas... tststststssss

Mais de 25% dos portugueses ameaçados de pobreza em 2010*

Mais de um quarto dos portugueses (2,7 milhões) estavam confrontados, em 2010, com pelo menos uma das três formas de exclusão social: risco de pobreza, situação de privação material grave ou, finalmente, a viver em agregados com uma intensidade de trabalho muito baixa.


* = em 2012, a percentagem é, obviamente, muito maior

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

i have a dream

que algo de muito drástico aconteça na vida pessoal do actual primeiro-ministro e o leve a ficar desempregado.

que, desempregado, receba o subsídio mínimo pelo mínimo prazo legal.

que, após, não encontre emprego senão a ganhar o ordenado mínimo nacional, com direito a uma única folga semanal, a ter menos dias de férias, mais dias de trabalho e todas as hipóteses de ser despedido sem grande mossa para o patrão.

findo o que, coberto de dívidas por despesas necessárias à sobrevivência, não lhe reste senão roubar uma embalagem de polvo e um champô para, como sem-abrigo em que se tornou, ser julgado à revelia e lhe ser imposta uma multa de 250€ convertível em 40 dias de trabalho comunitário.

para que, quando o encontrar, fugido à justiça, sujo, faminto, desamparado e sozinho, a enterrar a cabeça, em desespero, entre as mãos sebentas e envelhecidas, o possa cumprimentar com um

oh homem, deixe de ser piegas!


(a falta de respeito e de humanidade desta besta para com o povo português, seus sacrifícios e a forma como os enfrentam, ultrapassou todos os limites: ide inspirar-vos aqui, que tão útil lista nos fornece para esta ocasião. usem-nos bem, usem-nos todos!)

Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

9'' TUGAS! e claro que foi abertura de todos os telejornais!!! (not)


a moça ficou campeã do mundo em judo -57kg com esta vitória. alguém deu por isso?

amo esta mulher por muitas razões, e então quando diz pela boca dela o que penso desde sempre...

"As circunstâncias podem mudar uma pessoa? Talvez residualmente. Mas, na verdade, somos aquilo que somos. Depois há a vida, para que possamos descobrir o que é isso, afinal.
Vou contar-lhe uma história. Quando tinha para aí uns 10 anos fui avaliar-me à frente de um espelho. Franzi o sobrolho, os olhos, a cara, e logo nesse momento pude contar onze rugazinhas. Ainda hoje tenho essas mesmas rugas no mesmo sítio. Já me sentia velha quando era mais nova. E agora que sou mais velha, sinto-me ainda uma menina. Todos nós somos assim. Temos cá dentro as idades todas. Somos os velhos em que nos íamos transformar quando ainda éramos novos."

entrevista a Rui Henriques Coimbra (péssima, para não variar, salva-se a entrevistada), Expresso de ontem

triste gráfico este... :-(


(link para assinar a petição na imagem. anda tudo distraído, é?)

e, de seguida, que tal assinar também a petição para

Impedir a Taxação da Sociedade da Informação

(better known as PL118 / Taxa Canavilhas / Contra a Cópia Privada /
Eia que isto é que vai a SPA ganhar com a Lei e os autores nicles)

? hum? isso é que era!

vou investir 590€.

óptima para as minhas voltinhas aqui na cidade, onde quase não chove. só lhe falta um cesto, mas isso arranja-se... ah, preciso também de comprar um capacete :-( (nóia... mas pelo que se poupa em gasolina, e se protege o ambiente, compensa.)

"ZAC é eléctrica, não polui, é quase 100% portuguesa, tem uma autonomia de 10 quilómetros e, com uma utilização intensiva, fica paga num ano."



vamos nessa?