Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011

«é tão triste, ...inha...»
«pois é, Mãe.»


4th movment: Adagio lamentoso. Orchestra del Teatro alla Scala of Milan, dir. Yuri Temirkanov

(e lá continuávamos, a Mãe a costurar e eu a ler Os Cinco, ou algo assim.)


(a minha Mãe é do tamanho desta casa inteira. a minha Mãe está em cada pedaço de relva, em cada hortênsia por florir, em cada folha caída da magnólia que lhe plantei. nada me faz sentido sem ela. nem esta moradia, nem as rotinas familiares, nem coimbra. a urgência de a ver era a urgência de um náufrago a precisar de um salva-vidas. ter o seu olhar de mel era um balão de oxigénio que me permitia sobreviver por mais uns tempos. sou mais crescida do que estou a parecer. sabia que o momento chegaria. sabia como me sentiria perdida. sabia como me controlaria e como a noção do dever me comandaria. mas não consigo evitar esta tristeza tamanha, esta desorientação íntima, este atordoamento por faltar um pedaço de mim. só me apetece silêncio e não ter de falar com ninguém. contudo, tenho muitas responsabilidades, afectivas antes de mais, que me obrigam a reagir. a única desistência que me consinto é a de blogs, meu e dos outros. não levem a mal. os votos existem, e são sinceros, que tenham umas boas festas e um feliz ano novo. fiquem bem.)